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Angela Adriana de Almeida Lima

Angela Adriana de Almeida Lima

Introdução:

Inicialmente o Bullying não despertou a curiosidade das autoridades americanas, apesar da relação pré-estabelecida entre suicídios e agressões físicas ou verbais dentro da escola.
No início dos anos 70 o professor norueguês Dan Olweus iniciou uma pesquisa sobre a violência entre alunos nas Escolas, porém as autoridades não se interessaram pelo assunto. Em Columbine (EUA) dois adolescentes vítimas de Bullying, invadiram a Escola, mataram 14 colegas e um professor, este fato alertou mais ainda para a gravidade do assunto.  Em 1978 a 1993, Dan Olweus, desenvolveu um trabalho na Universidade de Bergen (Noruega) sendo pioneiro em chamar atenção para o suicídio das vítimas do Bullying, ele pesquisou 84 mil estudantes e constatou que para cada dez suicídios sete, estavam envolvidos com Bullying. Em seus estudos, Dan utilizou um questionário composto por 25 questões de múltipla escolha abordando freqüência, tipos de agressões, locais de maior risco, tipos de agressores e percepções individuais quanto ao número de agressores. Este instrumento foi utilizado em diversos países, inclusive no Brasil, pela ABRAPIA – RJ (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência), com o objetivo de favorecer relações interculturais entre os protagonistas do Bullying. Os resultados desta investigação confirmaram que 1 a cada 7 estudantes estavam envolvidos com o fenômeno. Em 1993, Olweus publicou o livro “BULLYING at school”,  apresentando e discutindo o problema, relatando os resultados de sua pesquisa, projetos de intervenção, e uma relação de sintomas e características que contribuíam para identificação das vítimas e dos agressores. Sua repercussão em diversos países como Portugal, Canadá e Reino Unido motivaram estes países a desenvolverem ações próprias contra a prática do Bullying. 
TÓFOLI ( http://capitalintelectual.spaceblog.com.br ) argumenta que no Brasil o caso mais notório ocorreu em 2004, em Remanso-BA, quando um adolescente de 17 anos matou dois e feriu três, porque não suportou mais as humilhações que o grupo lhe causava, dentre elas um banho de lama, o autor desta agressão, tida como brincadeira, levou um tiro na cabeça. Em 2003, na Cidade de Taíuva – SP, Edimar Aparecido de Freitas, um estudante de 18 anos, invadiu a escola onde estudava, atirou em 5 pessoas e se matou. Obeso desde a infância ele não suportava mais as gozações feitas por um grupo de colegas.
BONNEL ( http://clirbs.com.br/jps/home ) destaca que, ainda em território brasileiro,   um estudo realizado na Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) no final de 2007, com 133 alunos da rede pública apontou que 74% deles já sofreram  algum tipo de agressão por parte de colegas. Outros 60% foram responsáveis por estes atos de violência.
O mesmo estudo possibilita a compreensão de como a desestrutura familiar, o uso e o tráfico de drogas, e outros tipos de crimes, comprometem o comportamento dos jovens incentivando-os a praticar atos de violência contra os mais “fracos”. Especificamente no âmbito escolar, as conseqüências geradas por estes atos podem comprometer muito o desempenho de estudantes em todos os níveis de escolaridade.
Então, torna-se necessário uma intervenção direta sobre este fato e para prevenir o Bullying é necessário antes de tudo, conhecê-lo e conseqüentemente, saber identificá-lo.
 
Desenvolvimento:

MARINE (www.psicologiapravoce.com.br) Esclarece que  Bullying é uma palavra de origem inglesa, que não tem tradução específica para a língua portuguesa. É derivada do verbo inglês “bully”, que significa usar de poder como forma de subordinação a alguém.
No Brasil, seu significado compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetitivas  adotadas por uma ou  mais pessoas contra outra, numa relação desigual de poder .    Dentre estas opressões aparecem apelidos, trotes, todos os tipos de abusos, violências físicas e verbais, intimidações, piadinhas, xingamentos, furtos, discriminações, ameaças, assédios, exposição da vítima a situações ridículas, e outras mais. Porém, estes comportamentos somente são classificados como Bullying, quando são praticados de forma repetitiva, por uma mesma pessoa ou grupo, apesar de haver demonstrações de descontentamento por parte da vítima. O índice de maior ocorrência do Bullying, se mantem dentro de instituições educacionais, mais especificamente entre crianças de 7 a 18 anos. Entretanto, possui ainda a propriedade de ser reconhecido em vários outros aspectos, nas famílias, nas universidades, em asilos, em condomínios, em locais de trabalho, enfim em todos os lugares onde aconteçam relações interpessoais. Trata–se de um problema mundial e que vem se disseminando rapidamente, porém a bem pouco tempo passou a ser estudado no Brasil. Pesquisadores do mundo todo vêm direcionando suas investigações para este tema, que tem crescido alarmantemente e atingido faixas etárias cada vez mais distintas. Não se sabe se por falta de base familiar, ausência de limites das crianças – que hoje são praticamente criadas pela Escola – se por ficarem muito tempo sozinhas, envolvidas em jogos de computadores, ou se pelo aumento da violência que é freqüente e insistentemente tratada pela mídia de forma natural, através de programas que propagam a exposição de pessoas ao ridículo que e – são transmitidos livres de censura e assistidos por grande número de famílias – o “Bullying” tem crescido desastrosamente e suas conseqüências, atingido pessoas de diversos níveis sócio-econômicos e  culturais.
Para que o Bullying ele necessita de seus protagonistas que estão diretamente envolvidos no processo. São eles: agressor, espectador e vítima. Há três tipos de vítimas: a típica, a provocadora e a agressora. Algumas das principais características de cada sujeito ativo do Bullying serão elencadas a seguir, visando um melhor entendimento do leitor e uma possível identificação de protagonistas.
A vítima típica: é a que mais sofre as conseqüências do fenômeno, por sofrer seus efeitos em silêncio; Na sala fica isolada do grupo; Não emite opiniões, se torna uma alienada; Demonstra insegurança; timidez ou ansiedade ao se expressar diante da turma; Falta às aulas  freqüentemente; Nos trabalhos, jogos ou atividades em grupo é a  última a ser escolhida; Apresenta, ocasionalmente contusões, feridas, cortes ou arranhões; Perde constantemente seus pertences; Possui baixa auto-estima; Demonstra descontrole emocional; Apresenta alto grau de estresse.
A vítima provocadora: Atrai e provoca situações que não pode resolver; Tenta revidar quando insultada, mas não obtém êxito; Pode apresentar hiperatividade, inquietude e dificuldades de concentração; Geralmente é tola, irritante e causa um certo incômodo no ambiente onde está inserido; Sente dificuldade em se impor ao grupo, tanto física como verbalmente; Apresenta tom de voz elevado sempre que quer intimidar ou se sente provocado; Enfraquece quando se sente só.
A vítima agressora: Reproduz os maus tratos sofridos como forma de compensação, transformando o Bullying num círculo vicioso.
Agressor: Faz brincadeiras e gozações apesar da reprovação do outro; Envolve-se constantemente em desentendimentos, brigas e discussões; Ridiculariza as pessoas; Tem caráter violento e perverso; Não aceita regras; Comumente se envolve em pequenos delitos; Apresenta rendimento escolar deficitário, porém não se encaixa em dificuldades de aprendizagem, em vários casos, obtém notas excelentes; Faz ameaças sempre que seus desejos não são atendidos; Sente prazer em agredir animais e destruir plantas; Coloca apelidos desagradáveis nas pessoas; Pratica atitudes de intimidações entre os colegas; Anda sempre em grupos; Picha paredes, estraga carteiras, destrói ambientes; Apresenta atitudes manipuladoras; Não consegue se colocar no lugar do outro; Tem necessidade de dominar; Raiva reprimida; Irritabilidade; Alterações de humor; É temido pelo grupo.
Espectador: Fica sempre ao lado do agressor, temendo ser a próxima vítima; Se diverte às custas das práticas contra a vítima e demais pessoas; Realiza pequenas ameaças em atitude de proteção ao agressor; É de fácil manipulação; Torna-se inseguro e temeroso; Em alguns casos não concorda com o que vê, mas omite sua opinião; Muda sua conduta quando está distante do agressor.
Segundo estudiosos as causas desses tipos de comportamentos são inúmeras e variadas, podendo-se destacar as situações a seguir:
Várias situações podem gerar um agressor, as mais destacantes são: Problemas em casa; violência em família; depressão; dificuldades de se relacionar com as pessoas; insegurança; abuso sexual; negligências familiar e escolar; desprezo; solidão; alcoolismo e uso de drogas por parte da família ou do agressor; incapacidade de reconhecer o certo e o errado; ausência de limites; sentimentos de vingança, fatores psicológicos e ou psiquiátricos etc…
Vítima: Dificuldades de se libertar do agressor; solidão; negligências familiar e escolar; insegurança; falta de diálogo com a família; medo; etc…
Espectador: Necessidade de popularidade; insegurança; medo; negligências familiares e escolares; solidão; dificuldades de se libertar do agressor, etc…
Outro ponto de suma importância nos estudos envolvendo esta temática, são os tipos de Bullying, já identificados:
Masculino: Nele, como em todos os outros tipos, se impera a lei do mais forte física e psicologicamente. É muito comum entre as “Gangues” e em alguns casos, determina seus chefes, além de comandar a formação delas;
Feminino: Até bem pouco tempo se acreditava somente no Bullying Masculino, porém várias atitudes, destacando a competitividade e a preferência por maus tratos não sendo assim ignoradas, contribuíram para que as mulheres também se tornassem protagonistas deste fenômeno;
Cyberbullying: È o mais temido de todos os tipos, por ser menos perceptível pelas pessoas. Ferramentas como blogs, flogs, sites de relacionamentos, chats e e-mails fazem com que este Bullying seja mascarado e através dele o agressor intimida as vítimas de forma mais discreta. Outro aspecto relevante é quantidade de jogos que incentivam a violência nas escolas, inclusive vitimando toda a Equipe docente e mantendo os agressores livres de qualquer tipo de punição.
Assédio Moral: Acontece por agressões verbais, o agressor manipula a vítima, obtendo dela tudo que almeja.
Assédio Sexual: Acontece quando a vítima é forçada por algum motivo a se relacionar sexualmente com o agressor;
Chantagens: O agressor examina sua vítima e encontra um ponto fraco, ou uma espécie de erro doloroso cometido por ela, e a partir daí inicia seu processo de chantagem, objetivando manipular cada vez mais sua vítima;
Exclusão social: A vítima é colocada de lado em todas as situações, o quadro se reverte quando ela  cede aos caprichos do agressor;
Abuso de poder: Ocorre sempre que o agressor se encontra em um nível social acima da vítima e exerce sobre ela atitudes abusivas;
Preconceito: A vítima é excluída por raça, credo, poder econômico, idade, sexo, preferência sexual e diversos fatores;
Trotes universitários: As vítimas são humilhadas, agredidas e expostas a situações em que a alegria dá lugar a dor;
Alienação: O agressor não permite que a vítima tenha sua individualidade de pensamento, sendo obrigada a pensar e agir de acordo com seu dominador;
Ridicularizações: A vítima é objeto de apelidos, críticas, piadinhas e todas formas possíveis de humilhações.
LIMA (www.artigonal.com ) ressalta que este grave problema social também assola o Ensino Superior. Destaca o trote universitário como a principal prática dentro de universidades e acrescenta ainda, atitudes abusivas por parte de professores, que utilizam o recurso “avaliação” ou “banca examinadora de TCCs” para punir aqueles que pensam de forma diferente da imposta, talvez por  hierarquias ou questões políticas.
O renomado educador Paulo Freire deixou em seu legado, inúmeras reflexões sobre atitudes opressivas, em especial na obra “Pedagogia do Oprimido” destaca bem as conseqüências sofridas por um estudante, impedido de pensar por si mesmo e tendo que se encaixar em um ensino com objetivo de atender as necessidades do sistema Capitalista.  Ao lutar por uma mudança radical na educação, Freire acreditava que todos cidadãos são iguais, tem direito de ir e vir, de pensar,devem respeitados e ter criticidade suficiente para discernirem o certo e o errado sendo, portanto, responsáveis pelos seus atos. Alienação também é uma forma de Bullying, pois oprime e obriga a vítima a agir de acordo com os interesses dos mais fortes, fazendo com que ela se sinta cada vez mais incapaz e é inegável que a baixa auto estima seja fator contribuinte a comportamentos ligados ao Bullying.
Para Cléo Fante, pesquisadora do Fenômeno Bullying e doutoranda em Ciências da Educação, este é um assunto de saúde pública, caso não seja diagnosticado e tratado pode gerar adultos totalmente desequilibrados e infelizes.
Outro aspecto relevante é que a forte carga de emoções negativas recebidas e armazenadas pela vítima poderá ficar registrada em sua mente, estabelecendo pensamentos desorganizados que interferem em sua capacidade de autopercepção e auto-superação da vida, originando quadros depressivos.
Embora as formações escolares ou universitárias não consigam mudar a estrutura psíquica do tipo “maldosa”, devem trabalhar com determinação e empatia para formar cidadãos justos, capazes de respeitar os outros, reconhecer seus direitos e deveres, conviver bem em grupo excluindo definitivamente a prática do Bullying de nosso país.
A Educação do século XXI não pode se manter passiva diante deste fenômeno avassalador que compromete o presente e o futuro de nossa sociedade, caso contrário se tornará uma mera espectadora do Bullying, contribuindo para sua propagação global.
Diante de tal situação se torna necessária uma intervenção direta sobre este tema de preocupação mundial  e visando também a conscientização das pessoas em torno do assunto.
Todavia, devido a valores culturais, falta de interesse ou até mesmo de uma insensibilidade compartilhada, professores, diretores e toda a equipe docente da maioria das escolas, consideram inofensivas muitas brincadeiras praticadas entre seus alunos. Os apelidos, por exemplo, raramente despertam para uma qualidade da pessoa, são baseados em supostas diferenças da vítima para com o grupo e geralmente vem acompanhados de uma projeção do ridículo, humilhando a pessoa apelidada e merecem uma atenção especial por parte da equipe docente, pois podem significar um comportamento de Bullying.
No Brasil aconteceram alguns estudos envolvendo o Bullying.
ABRAPIA (www.bullying.com.br) apresenta em seus registros  que em 1997, a professora Marta Canfield e seus colaboradores, realizaram observações em crianças de quatro escolas de ensino público em Santa Maria (RS), utilizando uma adaptação, feita pela própria equipe sobre a pesquisa de Olweus. Em 2000/2001, os professores Israel Figueira e Carlos Neto realizaram pesquisas para diagnosticar o Bullying em duas Escolas do Rio de Janeiro, utilizando também de forma adaptada, o questionário elaborado pelo professor norueguês. Em 2004 a ABRAPIA realizou uma pesquisa em 11 escolas cariocas e constatou que 60,2% dos casos acontecem em sala de aula, comprovando a importância da ação conscientizadora, em ambiente escolar e cabe aqui a ressalva de que mudar a cultura perversa da humilhação e da perseguição na escola está ao alcance de todo profissional envolvido na educação.
Em países como a Inglaterra, as Escolas estão sendo obrigadas a abordar o Bullying em seu cotidiano escolar, como medida de combate ao fenômeno.
 Em 2002, a professora Cleodelice Aparecida Zonato Fante, mais popularmente conhecida como Cléo Fante, realizou pesquisas em escolas municipais do interior paulista, visando combater e reduzir comportamentos agressivos. Recentemente Cléo Fante escreveu um Livro “Fenômeno Bullying”, onde esclarece dúvidas sobre o assunto, apresenta sugestões de identificação dos envolvidos e trata o tema de forma clara, porém relatada a gravidade do fenômeno em nossa sociedade. Fante também é autora do “Programa Educar para a Paz”, que é desenvolvido em uma escola de São José do Rio Preto e conta com apoio de Psicólogos, Psicopedagogos e Pedagogos. Este Programa se resume num conjunto de estratégias psicopedagógicas embasado nos princípios de solidariedade, tolerância e respeito às diferenças. Estratégias como um trabalho individualizado com os envolvidos no fenômeno, visando aumentar a auto-estima das vítimas e através de ações pró-ativas, canalizar a agressividade do agressor, envolvendo para tal toda a equipe escolar, as famílias e a comunidade em geral. O “Programa Educar para a Paz”, apresentou excelentes resultados e tem sido implantado em várias escolas brasileiras, devido ao fato de apresentar resultados em curto prazo e ser de fácil adaptação à realidade escolar.
Estão sendo promovidos cursos de formadores do Programa, atendendo redes públicas e particulares de ensino e também cursos de pós-graduação, com fundamentações em Psicanálise e Inteligência Multifocal. Através deste contato direto com universitários, Fante pode constatar o grande número de estudantes que foram vítimas do fenômeno e suas desagradáveis conseqüências no meio profissional. Porém, conforme vários estudos comprovam, o Bullying pode ser praticado por e contra pessoas de diversas faixas etárias, havendo inclusive histórias de vítimas com apenas 3 anos de idade, daí a necessidade de um trabalho nas séries iniciais.
LIMA (www.angelaadriana.com.br) argumenta que se a criança aprender a conviver e a respeitar as diferenças desde a primeira infância, poderá contribuir para uma sociedade verdadeiramente inclusiva.
CAVALCANTE (2004, p. 54 a 61) comenta que há três anos Escola Municipal de Ensino Fundamental Thomas Mann, no Rio de Janeiro se engajou no programa de combate ao Bullying promovido pela ABRAPIA. Neste programa os professores recebem orientações sobre como conscientizar os alunos a respeito do fenômeno, se não houver este tipo de conscientização, eles continuam com o que para eles é só uma brincadeira de mau gosto.   A diretora da Instituição afirma que todos os alunos desta Escola sabem o que é Bullying, suas causas, conseqüências, e também já perceberam como é melhor estudar em um ambiente onde haja respeito pelo outro. Cada professor busca uma forma de trabalhar o tema em sua disciplina. Por exemplo, em Língua Portuguesa, as produções de texto revelam muito sobre o caráter de cada um; em História, a questão do racismo e também sobre a origem  do próprio Bullying; em Artes, cartazes envolvendo uma Campanha Anti-Bullying e em Geografia, a questão política que gera situações de desigualdade no Brasil. Nas reuniões pedagógicas o assunto surge naturalmente, e os docentes relatam incidentes ocorridos em classe e como fizeram as intervenções.  Quando os professores não estão presentes, alunos voluntários cuidam para que nenhum tipo de humilhação e outras situações desagradáveis venham incomodar a qualquer pessoa. Aos novatos e suas famílias, são transferidas informações sobre o fenômeno no ato da matrícula e também recebem o aviso de que nenhum tipo de atitude que venha causar constrangimentos físicos ou morais às demais pessoas serão toleradas dentro da escola. Os estudantes são orientados a explicar e esclarecer dúvidas sobre o assunto aos novatos.  Quando acontece algum deslize, tipo piadinhas ou apelidos entre os colegas, os alunos voluntários observam a movimentação e ao identificarem o problema procuram proporcionar aos agressores, reflexões sobre como este sujeito receberia ação que agora pratica com o colega. Como o Bullying também acontece de forma virtual é necessário que os professores mantenham diálogo reflexivo constante com a turma, visando alcançar a criticidade dos alunos sobre jogos, sites de relacionamentos, e-mails, e diversas outras formas de se agredir ou ser agredido virtualmente. Durante todo este processo, a integração da família-Escola é de total importância, uma vez que um ambiente é extensão do outro. De acordo com Cury “Bons professores possuem metodologia, professores fascinantes possuem sensibilidade”.(CURY, 2003, p. 78).
Outra habilidade importantíssima que o professor deve desenvolver é o ouvir ativo, conseguir compreender, captar o que há atrás da fala do aluno em análise da forma pela qual o corpo exterioriza esta fala. Segundo Souza (2002, p. 68 e 69):

O processo de decodificação dos sentimentos na fala do aluno é crítico no processo de ouvir ativo.  O ouvir ativo não é uma mágica, algo que o professor tira do chapéu – é um método específico para colocar em prática um conjunto de atitudes em relação ao aluno, a seus problemas e a seu papel como facilitador.
                 
Ao ouvir ativamente o aluno o professor poderá perceber situações que – quando diagnosticadas a tempo – tendem a diminuir a agressividade e ou depressão do estudante, assim deverá contactar a família do jovem e, caso necessário, encaminhá-lo ao profissional adequado para resolver o assunto. “Este hábito de professores fascinantes contribui para desenvolver:auto-estima, tranqüilidade, capacidade de contemplação do belo, de perdoar, de fazer amigos, de socializar-se.” (CURY, idem ao anterior). 
Prevenir o Bullying é uma forma de diminuir a violência dentro das Escolas que acaba refletindo em toda a sociedade.
Conclusão:
Nas últimas décadas a permissividade na educação – formal e informal – cresceu muito e com isso o aluno ficou muito livre, gerando a ausência de limites e conseqüentemente a agressividade. As exigências da sociedade moderna acabam por comprometer a estrutura familiar, que deixou de transmitir valores, até então de sua responsabilidade aos seus filhos, delegando suas atribuições totalmente à escola. Todavia, a criança se sente desamparada,  completamente sozinha e sem rumo, tendendo  a aliar-se a grupos ou gangues que lhe permitem sentir segurança e ao mesmo tempo, liberar sua fúria contida pela necessidade de chamar a atenção para si. Neste caso, o sujeito em questão se transformará em um agressor. Porém, se ele não conseguir exteriorizar seus sentimentos poderá se transformar em uma vítima, e em ambos os casos o protagonista é, também uma vítima de um aglomerado de situações experimentadas por ele. Vítima e agressor permeiam a escola e lá continuam suas práticas, muitas vezes não são notados e, quando são, suas atitudes são vistas como brincadeiras entre estudantes. Embora se tenha consciência da prática do Bullying, os trabalhos de prevenção e combate a ele estão ainda “engatinhando”. É necessário que os professores explorem este tema em suas aulas, utilizem recursos variados como dinâmicas, filmes, músicas, histórias e outros para despertar a atenção de crianças de todas as idades, prevenindo e remediando os casos. Quanto mais rápido o Bullying for reconhecido como o grave problema que é, mais chances poderão surgir para combater este quadro horrível em que se encontram os envolvidos neste fenômeno.  Na realidade, os estudos em torno do Bullying estão apenas começando, todavia é inegável sua importância tanto em caráter preventivo, iniciando na Educação Infantil, como na reparação dos danos causados por ele, nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Superior. LIMA (www.angelaadriana.com.br) comenta que  necessário se faz  que todos envolvidos com a Educação percebam  a gravidade do assunto e planejem ações envolvendo o ambiente escolar as famílias. Ressalta ainda que estas ações devem contemplar respeito, amor, ética, criticidade, amizade, valores humanos, harmonia, sabedoria, dignidade etc.
Criar uma cultura  contra o Bullying deve ser responsabilidade de todo cidadão. Estas mesmas ações devem ser desenvolvidas entre os docentes, visando amenizar o abuso de poder muitas vezes causado pelos títulos de professor, especialista, mestre ou doutor, que acaba oprimindo o aluno.
Reflexões sempre trazem um bom resultado após dinâmicas, principalmente àquelas que envolvam aspectos voltados à individualidade das pessoas, suas diferenças, direitos e deveres. Algumas palavras podem mudar muitas vidas, pois elas têm enorme poder sobre a humanidade. “O afeto e a inteligência curam feridas da alma, reescrevem as páginas fechadas do inconsciente”. (CURY, idem ao anterior).
Ouvir um aluno em suas queixas ou particularidades pode identificar vítimas, agressores, evitar que o fenômeno se torne um círculo vicioso e, conseqüentemente, preservar a vida de jovens estudantes que certamente serão protagonistas de uma realidade bem  diferente da que o Bullying reserva aos seus praticantes e envolvidos. 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CAVALCANTE, Meire. “Como lidar com “brincadeiras” que machucam a alma.” Rev.  Nova Escola. Ed. 178. São Paulo, SP: Abril, p. 58 a 61, 2004.

CURY, Augusto. J. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro, R.J: Sextante, 2003.

DREYER, Diogo. A brincadeira que não tem graça.  www.educacional.com.br , disponível em 19/12/007.

FANTE, Cléo. Fenômeno Bullying: Como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª ed. Ver. Campinas, São Paulo: Verus, 2005.

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. 3ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1971.
_______. Pedagogia do Oprimido. 13ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

LIMA, Angela Adriana de Almeida. “Bullying atinge estudantes de diversos níveis de escolaridade estigmatizando também universitário.” In: www.artigonal.com, em 13 de outubro de 2008.

_______. “Formação de valores na Educação Infantil favorece o processo de inclusão.” In:  www.angelaadriana.com.br  , em 13 de outubro de 2008.

MARINE, Elaine. “O que é Bullying?”  In: www.psicologiapravoce.com.br , em 15 de maio de 2008.

SOUZA, T.L. Vera; Silva, Moacyr da; FURLANE, T. M. Lúcia; SCOZ, Beatriz; MAHONEY, A. Abigail. As ralações interpessoais na formação de professores. São Paulo: Loyola, 2002.

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